Beleza Falada #01 – Devaneios

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Bem, eis aqui uma novidade fresquinha do BelezaGeek.

Pra quem não sabe, uns anos atrás eu participei de um projeto de audiobook do livro Crepúsculo, onde eu era a editora. Todo o projeto foi realizado por fãs da saga. Eu me apaixonei pela idéia, mas depois desse, não participei de mais nada do gênero. Até agora. A idéia foi resssucitada e resultou no projeto Beleza Falada. Ainda está em fase de testes, mas o objetivo é criar audiocontos e, quem sabe, audiobooks também.

Para inaugurar o projeto, aqui está o primeiro Beleza Falada, de um conto do escritor Jordan Florio de Oliveira. Você pode conferir este e outros contos dele clicando aqui e sua fanpage no Facebook, clicando aqui.

Então, clique no play e conheça o Beleza Falada.

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Devaneios

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Autor: Jordan Florio de Oliveira

Interpretação: Bruna Evelyn

Edição: Bruna Evelyn

DOWNLOAD: Clique AQUI com o botão direito do mouse e escolha a opção “Salvar Link Como” para baixar o arquivo no formato MP3.

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DEVANEIOS

Olhou para os grandes muros, a construção datava do século passado, seu pai havia lhe contado sobre o lugar, mas nada que tinha sido dito antes a preparou para o que ela viu.

No começo ela sentiu medo, as ruas estavam um pouco sujas e pessoas estranhas e aterrorizantes passavam por perto, os cães eram sarnentos e magros e ela não largava a mão de seu pai, como foi recomendado, mas assim que viu o mercado, ela começou a série intermináveis de perguntas.

O pai simplesmente riu, sabia que a filha o encheria de perguntas e por isso fez uma pesquisa antes, falou dos vitrais, das coisas que havia no interior e de tudo ao redor.

– Pai, e aquele castelo que a gente passou para vir para cá?

– Aquele e o palácio das indústrias, lindinha.

– E o rei das indústrias morava lá?

A risada de seu pai sempre a fazia rir junto, ele ria com tanto gosto e tão alto que as pessoas ao redor olhavam para os dois, geralmente sorrindo ao ver cena tão bonita, a união tão forte entre os dois.

Eles eram muito unidos, pois ambos não tinham mais ninguém. A mãe da pequena já não dava notícias há alguns anos, eles se consolavam quando a noite vinha e a saudade apertava demais.

– Não, lindinha. Nenhum rei morou naquele castelo, mas o prefeito trabalhava lá. Você sabia que tem um poço e um jardim? E muitas coisas lindas para vermos. Te prometo que quando tivermos tempo eu te levo para você ver de perto, tudo bem?

– Sim, papai. Ela deu um beijo nele e continuaram as compras. O castelo, entretanto, não saiu da cabeça da criança, que imaginava um baile de princesas, como nos desenhos que ela tanto amava, imaginava seu pai e sua mãe como rei e rainha, mas o rosto da mãe estava embaçado.

Ela quase não lembrava como ela era, e não pedia para ver fotos dela porque isso deixava seu pai muito triste.

Em seus sonhos ela era uma princesa como a Cinderela, todas as amigas da escola estavam com ela e elas dançavam com os garotos mais velhos dos programas que assistia. O mais lindo deles a escolhia e eles rodopiavam no meio do salão iluminado por velas que se sustentavam sozinhas no ar.

De repente as velas apagaram-se todas de uma vez, e um trovão soou na porta, junto com seu irmão raio iluminando brevemente a entrada da bruxa malvada, sua avó materna. A velha tentou tirá-la do pai, e desde o desaparecimento de sua filha ela o culpa pelo ocorrido.

Com sua magia de bruxa má ela atrai acende uma das velas e caminha pelo salão, protegida por armaduras que se moviam sozinhas, de espadas na mão, e parou somente quando estava frente a frente com a princesa.

– Esta na hora de você vir comigo, minha pequena, seu pai esta envenenando você com mentiras. Isso foi realmente falado, no dia da audiência, mas a menina chorou tanto quando o juiz disse que ela poderia morar com a avo que o caso foi encerrado ali mesmo.

– Não vou, sua bruxa! A pequena gritou em seus devaneios, e respondendo ao seu grito seu guardião apareceu. Um grande leão, o protetor que ela ganhou de sua fada madrinha rugiu imperiosamente, desfazendo a magia da bruxa má e protegendo a pequena princesa.

O rugido do leão foi na verdade o barulho de um caminhão de lixo do lado de fora, o pai estava olhando fixamente para ela, com olhos sempre esperançosos, mas com uma marca eterna de tristeza:

– Lindinha. Onde você foi? Parecia que estava no mundo da lua.

– Estava sonhando acordada. Vamos comer pastel agora?

Ele apenas sorriu e a levou pela mão, para uma das bancas de pastel dentro do mercado.

Dentista, viciada em séries, filmes, esmaltes, tecnologia e que só sai de casa acompanhada de seu querido smartphone.

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