Dia da toalha, um tributo a quem mesmo?

George Lucas e Douglas Adamms são homenageados hoje, em uma comemoração que dez anos atrás seria simplesmente impensável. Há dez anos, porém, tantas coisas tidas como comuns hoje em dia, eram impensáveis.

Boa parte dos chamados “nerds” de hoje em dia, que tiverem mais de 25 anos, devem sentir algo similar ao que sinto: no meu tempo, ser nerd não era “legal”, era ser o desprezado socialmente na sua classe, era ter problemas de falar com garotas, e ao contrário do que eles fazem parecer no seriado de comédia “The Big Bang Theory”, não era algo divertido.

Não preciso e nem quero ficar lembrando as agruras da minha puberdade e adolescência. O importante, a saber, sobre estes dois períodos da minha vida é que eu sobrevivi a eles. A questão do meu desconforto não é a popularização daquilo que algum tempo atrás era cultura de um nicho excluído, o que realmente me incomoda é a questão das pessoas se comportarem de acordo com um padrão.

Muitas pessoas passaram a assumir e assimilar, de maneira superficial, os detalhes externos de uma cultura que sempre teve como principal alicerce o conteúdo e o conhecimento, e não estética ou modismos, e enchem as redes sociais com posts superficiais de assuntos que já renderam discussões homéricas no tempo da internet discada.

Antes que eu fique parecendo um velho reclamão, que fica em sua cadeira de balanço contando sobre como eram bons os velhos tempos de desprezo e ser ridicularizado por não saber jogar futebol, eu quero deixar o intento deste texto expresso em uma frase simples: Nerds de hoje, não se esqueçam de suas raízes, não se esqueçam dos que vieram antes de vocês, das modas de séries e filmes de Hollywood baseadas em livros.

Você leu o primeiro livro das crônicas do gelo e do fogo e está assistindo a série todo o domingo, e acha que entende de fantasia? Por favor, começa terminando de ler os outros quatro livros, aproveita que você pegou o ritmo e releia Harry Potter, se possível comparando com os Livros da Magia do Neil Gaiman, para entender porque alguns mais puristas chamaram a J.K Rowling de plagiadora. Já que estamos por estes lados de magia, leia alguma do velho mestre Terry Pratchet, e se você gostou do que leu sobre Neil Gaiman lá no começo, aproveita e leia o livro que os dois fizeram juntos, Doces Maldições.

Bastante coisa para ler, não? Mas se acalme, não encare como obrigação, desenvolva o prazer da leitura, viaje com ela, isso é ser nerd.

Recomendo o mesmo caminho para os novos desenvolvedores de jogos, os novos ilustradores, todos aqueles que povoam o mundo nerd, ou você aí, que somente gostou de alguma coisa ou outra, viu um ou dois animés e achou divertido. Bem vindo a um universo que vai te dar satisfação pela vida toda.

Um conselho aos velhos de guerra também, que tem metade da culpa dessa situação fragmentada.

Quantas vezes, quando se é novo em alguma coisa, ao pedir instrução na área de alguém mais instruído recebe-se somente desprezo e falta de consideração. Fora os “haters” e “trolls” na internet, dificultando a ida de quem quer se profundar no assunto e às vezes nem sabe como.

Eu tive a sorte de conhecer pessoas que abriram muito meu campo de visão para a cultura em geral, durante o tempo em que frequentei os encontros de um fã clube de Senhor dos Anéis, fiz amigos e fui muito mais longe do que iria sozinho. Você que viveu coisas fantásticas, jogou RPG antes dos MMO’s, que possui lembrançças poderosas de filmes como A História Sem Fim, Goonies e a Caravana da Coragem (para quem não souber, vale a pena procurar, é sobre os Ewoks, personagens de Star Wars em uma aventura muito divertida), não mantenham este conhecimento e sabedoria trancafiados como o ouro de Smaug. Dividam-os com os mais novos, ensinem, mesmo que esta geração pareça querer tudo muito fácil, muitos deles estão por aí, tendo de “reinventar a roda”, por falta de uma passagem dos “conhecimentos da força” adiante.

Com palavras finais, digo a vocês:

“Adeus, e obrigado pelo peixes.”

Escritor, que vê o mundo de uma maneira especial e tenta transmitir essa visão aos outros, através de belas histórias.
“A história precisa ser vivida, antes de ser contada”

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