Meu Malvado Favorito: uma nova concepção de filmes para crianças

Com o lançamento de Meu Malvado Favorito 2 podemos perceber o esforço da Disney em adaptar suas histórias às novas realidades da sociedade. Começamos essa análise ressaltando os fatos do primeiro filme: o personagem principal não tem nada de heróico.

Gru é um vilão com tendência ao fracasso, desajeitado e desajustado, que deixou uma vida de crimes por amor a três crianças órfãs, consideradas velhas demais para serem adotadas.

Juntamos a isso a situação de Gru tentar reutilizar a infra-estrutura da sua casa para outros fins, no caso a produção de geléia, o que mostra-se um colossal fracasso e a posterior convocação ao trabalho como espião por uma agência que o julga capaz de deter vilões, devido ao fato dele ter sido um vilão. Enquanto isso, em casa, as meninas o tratam simplesmente como pai, amando-o independente do que ele tenha feito no passado.

De maneira indireta e muito leve, Meu Malvado Favorito 2 mostra a luta de um homem para se livrar de um estigma e mostra, através de outra personagem, o quanto enxergar o melhor nas outras pessoas pode mudar nossa vida.

Lucy, a espiã, que aparentemente recomendou Gru para a agência, deu todos os sinais de quem acompanhava a carreira dele como vilão. Provavelmente com um certo fascínio e, mesmo quando o próprio comprometia sua recém-adquirida nova carreira dentro da agência, ela se desdobrava em esforços para tornar a imagem dele positiva frente ao chefe. Tudo isso por ver nele um potencial que nem ele mesmo acreditava.

Durante todo o filme podemos entender que Lucy também é uma pessoa um tanto desajustada socialmente. Provavelmente por se dedicar exageradamente ao trabalho como espiã, do qual gosta muito, e que, de alguma maneira, Gru equilibra, com seu desajuste, o desajuste dela, fazendo com que eles funcionem muito bem como dupla e depois como casal.

No fim das contas, Meu Malvado Favorito 2 bebe na mesma fonte de Shrek ao mostrar que nem sempre os protagonistas de grandes histórias serão os mesmos heróis estereotipados pelo senso comum e todos nós. Se desejarmos, independente de nossa aparência, podemos ser as estrelas de nossas próprias histórias.

Escritor, que vê o mundo de uma maneira especial e tenta transmitir essa visão aos outros, através de belas histórias.
“A história precisa ser vivida, antes de ser contada”

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