Beleza Falada #06 – A Coadjuvante

BF6

Para você que ainda não conhece, Beleza Falada é um projeto do BelezaGeek para criação e divulgação de audiocontos e audiobooks. Confira agora o episódio 6 do projeto.

A Coadjuvante é um conto sobre um rapaz que sonha com a mulher ideal para ele. Quando finalmente a encontra acontece algo que os impede de permanecerem juntos. Escrito por nosso leitor Leonardo Siviotti. Você pode entrar em contato com ele através de seu email: lsliteratura@ig.com.br.

Clique no play abaixo e ouça esse conto.

beleza falada6

A Coadjuvante

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Autor: Leonardo Siviotti

Narração e voz feminina: Bruna Evelyn

Voz masculina: Colaborador anônimo

Edição: Bruna Evelyn

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A COADJUVANTE

Andava desatenta no meio de várias pessoas no shopping. Distraída, observava as vitrines sem dedicar uma maior atenção a nenhuma delas. Teria permanecido assim por mais tempo se alguém não tivesse colocado a mão em seu ombro. Assustada, virou-se rapidamente.

— Estava te procurando — disse um rapaz sorridente.

— Conheço você? — ela perguntou.

— Não, mas eu te conheço. Penso em você toda noite, sempre que vou me deitar. Finalmente consegui encontrá-la!

A garota estranhou o comentário. Tentou afastar-se, começando a andar rápido. Entretanto, foi perseguida ao longo do corredor.

— Espere! — ele gritou. — Não vou machucá-la!

Entrou no banheiro feminino. O jovem, demonstrando não ter vergonha de ser visto naquele local, entrou também.

Ela correu para a primeira porta aberta que viu e trancou-se. Dividindo o espaço com o vaso sanitário, ouviu o rapaz dizer:

— Você não compreende. Não deve ter medo de mim. Não estou aqui para machucá-la.

— Quem é você? O que está querendo comigo?

Antes que ouvisse a resposta, notou a porta de madeira sacudir um pouco e logo depois ser arrancada com facilidade do lugar. O jovem a pôs tranquilamente no chão.

— Como fez isso? — ela questionou, ainda mais assustada.

— Posso fazer o que quiser. Bem… não tudo, pois ainda não domino todas as técnicas, não tenho controle absoluto sobre todas as coisas aqui. Mas estou evoluindo. No começo sequer conseguia modificar algo, mas agora… observe:

O rapaz puxou um dos dedos de sua mão, esticando-o até chegar ao dobro do seu comprimento normal. Depois fez o processo inverso, empurrando-o até o tamanho natural.

— Como fez isso? — perguntou a garota, num misto de medo e entusiasmo.

— É fácil. Posso fazer quase tudo que desejar. Estou no comando.

— Não compreendo.

— Estamos em um sonho. Meu sonho. Sei que estou sonhando. Logo, com um pouco de concentração, posso dar as cartas ao invés de ser somente um mero espectador.

— Acha que vou acreditar nisso?

— Então me fale sobre você. Diga de onde veio, em que trabalha, quem são seus pais, suas lembranças de infância, o telefone de sua casa, qualquer informação. Você não sabe, porque só existe em meu sonho.

Após algum tempo em silêncio, a jovem sentou no vaso sanitário e começou a chorar. O garoto entrou no pequeno espaço e tentou acalmá-la, alisando seu cabelo.

— Ei, está aqui porque há semanas só penso em alguém como você na hora de dormir. Compreenda, te procuro há muito tempo. Sempre que idealizo uma mulher é você que imagino.

A garota levantou-se. Enxugou as lágrimas com a manga da camisa. Sorriu. Em seguida abraçou o rapaz. Sentiram-se por algum tempo. De repente, quando o medo parecia ter sido afugentado por completo, ouviram um barulho terrivelmente incômodo.

— Droga! — ele esbravejou.

— O que foi?

— É o meu despertador!

— O que vai acontecer?

— Vou acordar! Estou prestes a acordar!

— Vamos nos ver de novo?

— Se depender de mim, sim. Vou continuar pensando em você.

Aproximou-se do rosto da garota a fim de beijá-la, mas sentiu estar em sua cama antes que a tocasse. Irritado, virou o corpo para o lado, fechou a mão e a usou como uma marreta, acertando em cheio o despertador sobre a mesinha. O silêncio retornou, mas já era tarde. Esperaria ansioso pelo próximo sonho.

Dentista, viciada em séries, filmes, esmaltes, tecnologia e que só sai de casa acompanhada de seu querido smartphone.

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