Resenha da peça Mundus Immundus

Muitos dizem que o teatro é uma atividade elitista, que a linguagem usada não é interessante para muitos de nós, acostumados aos filmes cheios de efeitos especiais e a histórias profundas contadas de outras maneiras. Sendo muito sincero, eu não vou tanto ao teatro quanto gostaria e quanto deveria, mas tem um grupo que sempre me fascina com apresentações muito intensas.

Estou falando do Sassaricando São Paulo.

Os atores deste grupo têm um compromisso diferente de tudo que eu já vi em teatro. As peças são verdadeiras a ponto de em momento algum eles usarem de cortina e nada do tipo, você vê os atores se preparando para atuar, você percebe o nervosismo da combinação da juventude com o desejo intenso de fazer o melhor de si. Talvez devido a isso o choque de quando eles entram em cena, a transformação é maravilhosa e às vezes assustadora e o fato de presenciarmos a mudança é tão interessante quanto à peça em si.

Eu fui assistir ao Mundus Immundus, o novo espetáculo do grupo e saí da peça mudado, diferente do que eu tinha entrado. A história de Cabrita, ao contrário do que muitos pensam, não é simplesmente uma crítica social em relação aos “invisíveis” da nossa sociedade, e sim a falta de sentido e a superficialidade de nossas relações, inclusive a relação conosco mesmo, que deveria ser a mais importante de todas. Afinal de contas, é impossível amar qualquer outra pessoa quando falta amor próprio.

Os personagens da trama vão guiando o espectador a uma jornada que pode começar com eles, mas com certeza acaba tocando nossa autoconsciência. O fato de sermos quem somos e o quanto gostamos de quem somos quando inseridos na sociedade é o real tocante da peça, na minha leitura. Realmente recomendo para todos aqueles que desejam sair de um teatro com idéias poderosas e inspiradores, pois foi assim que eu saí.

Escritor, que vê o mundo de uma maneira especial e tenta transmitir essa visão aos outros, através de belas histórias.
“A história precisa ser vivida, antes de ser contada”

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